Irrealismo e Antirrealismo
a tese da acumulação na filosofia da história contemporânea
DOI:
https://doi.org/10.15848/hh.v18.2426Palavras-chave:
Filosofia da história, Teoria da história, RealismoResumo
O artigo analisa duas posturas filosóficas relativas à história, o antirrealismo e o irrealismo, com relação à problemática da referência e à chamada tese da acumulação. Apresenta-se uma definição da tese da acumulação, seguida de uma discussão em que são expostas objeções de filósofos antirrealistas e irrealistas a tal tese. Em nossa leitura, tais objeções estão fundamentalmente ligadas a posturas das duas filosofias com relação à referencialidade de termos historiográficos, embora a filosofia antirrealista da história ainda apegue-se a uma versão abrandada tanto da tese da acumulação quanto da possibilidade referencial da história. Por fim, demonstra-se que a postura irrealista na filosofia da história constitui uma radicalização das objeções levantadas à possibilidade de objetividade na história pela filosofia antirrealista. O argumento central do artigo é que as questões da referencialidade e da acumulação estão fundamentalmente relacionadas no âmbito da filosofia da história, dado que alterações em uma delas implicam alterações na outra.
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