Documentos, não documentos e temporalidade na história da poesia

Autores

  • Bruno Gomes Rodrigues FFLCH-USP

DOI:

https://doi.org/10.15848/hh.v18.2226

Palavras-chave:

Poesia, Teoria da história, Temporalidades

Resumo

Neste artigo, propomos a elaboração de um novo modelo para pensar a história da poesia, agora dissociada da história da literatura e da crise infinda atravessada por esta desde os anos 1960. Na articulação exposta, dialogamos com Márcia Abreu (2022) na defesa da materialidade, refletindo sobre o caráter não documental dos objetos poéticos –mecanismos que fundam um real próprio não criticável. Desse modo, assumimos a hipótese de que os poemas devem ser lidos a partir de uma retroalimentação sobreposta com a materialidade dos documentos e dos diversos reais, considerando a lógica da temporalidade bipartida em dimensões internas (gêneros, formas, estruturas) e externas (espaços de circulação, discursos). Com base nesses pressupostos, sustentamos a dissolução dos critérios de valor, nacionalidade e separação periódica rígida em formato de flecha em prol de uma amplitude do espaço territorializado e de uma geometria de círculos excêntricos entrecruzados. 

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Publicado

2025-12-30

Como Citar

GOMES RODRIGUES, Bruno. Documentos, não documentos e temporalidade na história da poesia. História da Historiografia: International Journal of Theory and History of Historiography, Ouro Preto, v. 18, p. 1–14, 2025. DOI: 10.15848/hh.v18.2226. Disponível em: https://www.historiadahistoriografia.com.br/revista/article/view/2226. Acesso em: 1 jan. 2026.

Edição

Seção

Artigo original