Cinema e produção do conhecimento histórico
Sobre o projeto de adaptação cinematográfica da batalha de Bouvines
DOI:
https://doi.org/10.15848/hh.v18.2276Palavras-chave:
Cinema, História, HistoriografiaResumo
O medievalista Georges Duby (1919-1996) sempre concebeu a História como um ofício de comunicação. Para tanto, buscou ampliar a sua audiência, e não hesitou em se servir de diferentes meios de comunicação modernos (rádio, televisão, cinema). No início dos anos 1980, Duby é convidado a participar na adaptação cinematográfica de seu livro, O Domingo de Bouvines, com Miklós Jancsó na direção, Serge July como roteirista, e Gérard Dépardieu e Nastassja Kinski como protagonistas. Embora abandonado durante a produção, este projeto cinematográfico levará Duby a questionar seriamente as formas de produção do conhecimento histórico e os seus limites. Através de um estudo dos arquivos privados de Duby, conservados no Institut Mémoire de l’Édition Contemporaine (IMEC), este trabalho tem como objetivo entrar nos bastidores da aventura cinematográfica do Domingo de Bouvines e trazer à tona as reflexões importantes de Duby sobre o cinema como uma tela onde se projetam os limites do conhecimento produzido pelo medievalismo. Procurar-se-á mostrar as dificuldades surgidas pela tensão entre as ambições comerciais do projeto cinematográfico e a exigência de verismo por parte do próprio Duby, discutindo a maneira como esta exigência e a recusa de qualquer concessão ao anacronismo podem eventualmente vir a tornar-se obstáculos ao encontro da história e do cinema.
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