Loucura, etnografia e crise da cultura em Warburg e Artaud
um ensaio de aproximação
DOI:
https://doi.org/10.15848/hh.v18.2158Palavras-chave:
Aby Warburg, Antonin Artaud, EtnografiaResumo
Em A imagem sobrevivente, Georges Didi-Huberman insinua uma aproximação entre a experiência e a obra de Aby Warburg e de Antonin Artaud, na esteira da trajetória e da leitura de Nietzsche. Com o filósofo alemão, compartilham a experiência do colapso psíquico; entre si, compartilham a catástrofe da guerra. Essa dupla tragédia foi perpassada, nos dois casos, pela experiência do deslocamento ao “outro”: a viagem e o contato com a cultura indígena dos Pueblos e dos Tarahumaras, respectivamente. Esses deslocamentos marcaram suas obras, seus diagnósticos da crise da cultura ocidental e a própria experiência da crise psíquica. Mergulhados no colapso, ambos refizeram continuamente suas viagens pela rememoração e pela escrita; um exercício escriturístico que sugere uma dupla função terapêutica: pessoal e coletiva. Nesse sentido, busca-se estabelecer o problema da decomposição da identidade não apenas como sintoma clínico, mas como problemática intelectual comum, vinculando-os a concepções ontológicas de vida derivadas de leituras nietzschianas.
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