A historiografia do (T)terror na Revolução Francesa
da perspectiva clássica à revisão crítica (1794-2024)
DOI:
https://doi.org/10.15848/hh.v18.2269Palabras clave:
Revolução, História da França, História da HistoriografiaResumen
Este artigo explora uma dupla-hipótese. Primeiro, no que diz respeito ao (T)terror, argumenta-se que a historiografia da Revolução Francesa – englobando tanto o campo jacobino-marxista quanto o liberal-revisionista – tem sido dominada por um paradigma específico, estabelecido no final do século XVIII e ao longo do século XIX por autores como Tallien, Constant, Maistre, Hegel e Marx. Esse paradigma concebe o terror simultaneamente enquanto um sistema e um período ou época. Em segundo lugar, o artigo sustenta que, na última década, a historiografia – cujos principais autores, ainda pouco conhecidos no Brasil, incluem Annie Joudan, Carla Hesse, Colin Jones, Côme Simien, Jean-Clément Martin, Marisa Linton e Michel Biard – buscou superar essa abordagem, oferecendo novas formas de compreensão dos anos de 1793 e 1794. Em suma, trata-se da emergência de um novo paradigma interpretativo. Para alcançar os objetivos deste estudo, será necessário apresentar as principais linhas de força da historiografia sobre o terror revolucionário, o que exigirá também uma breve análise de algum eventos-chave da própria Revolução. Dessa forma, este texto busca oferecer uma síntese crítica, a qual se faz necessária diante da complexidade e da amplitude dessa historiografia.
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