A metaforologia do cotidiano

Um encontro entre Michel de Certeau e Hans Blumenberg

Autores

  • Clarissa Paranhos Puc-Rio

DOI:

https://doi.org/10.15848/hh.v19.2351

Palavras-chave:

Michel de Certeau, Metáfora, Immanuel Kant

Resumo

Este artigo revisita a obra do pensador francês Michel de Certeau a partir da metaforologia, campo de estudos desenvolvido pelo pensador alemão Hans Blumenberg. Seu argumento central consiste em explorar a dimensão metafórica do fazer cotidiano – tematizado por Certeau sobretudo em A Invenção do cotidiano I – artes de fazer (1980) – aproximando-a daquilo que Blumenberg nomeia metáfora absoluta. Trata-se de repensar o potencial criativo da cultura, estendendo às práticas cotidianas a abertura imaginativa propiciada pelas metáforas absolutas. Para tanto, estabelece-se a noção de cultura que orienta o pensamento de Certeau e a noção de metáfora absoluta, central na metaforologia de Hans Blumenberg, a fim de revisitar, de um ponto de vista estético e ético, o fazer cotidiano. Central neste argumento é a influência kantiana que se destaca na obra dos dois autores. O artigo oferece ainda uma interpretação do uso das metáforas por Michel de Certeau em sua Invenção.

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Publicado

2026-04-16

Como Citar

PARANHOS, Clarissa. A metaforologia do cotidiano: Um encontro entre Michel de Certeau e Hans Blumenberg. História da Historiografia: International Journal of Theory and History of Historiography, Ouro Preto, v. 19, p. 1–29, 2026. DOI: 10.15848/hh.v19.2351. Disponível em: https://www.historiadahistoriografia.com.br/revista/article/view/2351. Acesso em: 17 abr. 2026.

Edição

Seção

Dossiê ''História e ficção: hibridismos e reflexividade''