O tempo dos afetos em Annie Ernaux:

uma leitura de A vergonha

Autores

  • Nathália Sanglard de Almeida Nogueira Universidade Estadual do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.15848/hh.v19.2422

Palavras-chave:

Annie Ernaux, Tempo, afeto

Resumo

O objetivo deste artigo é refletir sobre a relação entre tempo e afeto em Annie Ernaux, tomando como principal fonte de análise A vergonha, publicado em 1997. Para isso, na primeira parte, pretendo sustentar, a partir da análise de entrevistas da autora e de estratégias e dispositivos em seus textos literários, que o tempo é o tema primordial de sua obra. Na sequência, argumento que a compreensão da complexidade do tempo em Ernaux deve passar pelos afetos, porque eles organizam e criam os modos de habitar o presente, o passado e o futuro. Na segunda parte do artigo, detenho-me em A vergonha, a fim de discutir como o afeto que nomeia o livro funciona como um evento axial que divide o tempo, criando para ele outra espessura.

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Publicado

2026-04-22

Como Citar

SANGLARD DE ALMEIDA NOGUEIRA, Nathália. O tempo dos afetos em Annie Ernaux:: uma leitura de A vergonha. História da Historiografia: International Journal of Theory and History of Historiography, Ouro Preto, v. 19, p. 1–26, 2026. DOI: 10.15848/hh.v19.2422. Disponível em: https://www.historiadahistoriografia.com.br/revista/article/view/2422. Acesso em: 23 abr. 2026.

Edição

Seção

Dossiê ''História e ficção: hibridismos e reflexividade''