Os rios do Carmo e Gualaxo do Norte
da paisagem aos números em corografias de Minas republicana (1896-1937)
DOI:
https://doi.org/10.15848/hh.v18.2207Palavras-chave:
Corografia, Historiografia do século XX, ProsopografiaResumo
Este artigo objetiva interpretar escritas de perfil corográfico que, produzidas entre o final do século XIX e os anos 1930, mencionem os rios do Carmo e Gualaxo do Norte, localizados na região central de Minas Gerais. Tais cursos d’água foram diretamente atingidos com o rompimento da barragem de Fundão em 2015. O estudo, reportando-se à produção do saber histórico nas quatro primeiras décadas republicanas, irá problematizar as matrizes teórico-historiográficas de corografias mineiras que abordaram esses dois corpos hídricos, especialmente textos de Diogo de Vasconcelos, Antonio Olyntho, Nelson de Senna e Daniel de Carvalho publicados pela Revista do Arquivo Público Mineiro. Como conclusão, postula-se que tais abordagens corográficas transpuseram paulatinamente uma concepção de paisagem que priorizava o passado histórico e a dimensão estética para uma perspectiva espaço-temporal atenta às exigências do método científico, particularmente à sua matematização, de forma concomitante à ampliação da rentabilidade econômica dos rios.
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