Os heróis maçônicos na historiografia da abolição em São Paulo

  • Renata Ribeiro Francisco Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Ciências humanas, Lugares de memória, Narrativa historiográfica

Resumo

Nascida como organização de ajuda-mútua, a maçonaria ganharia novos contornos, consolidando-se como importante espaço de sociabilidade na segunda metade do século XVIII e, institucionalizada no Brasil no início do século XIX. A irmandade engrossou suas fileiras incorporando em sua organização importantes personagens de seu tempo, de políticos da alta cúpula a ativistas influentes. O presente artigo apresenta o debate historiográfico acerca da construção das memórias da Abolição da Escravatura, a partir da hipótese de que a maçonaria estrategicamente escolheu evocar a imagem de alguns personagens de sua história, a fim de cimentar positivamente suas experiências e seu suposto protagonismo através das narrativas maçônicas contemporâneas confeccionadas por escritores maçons. Nota-se, nessa longa jornada, que os denominados heróis maçônicos surgiam e desapareciam dessa literatura ao sabor do tempo e das narrativas.

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Biografia do Autor

Renata Ribeiro Francisco, Universidade de São Paulo

Sou historiadora graduada e mestre pela Universidade Estadual Paulista, com doutorado em história pela Universidade de São Paulo. A pesquisa que deu origem ao artigo foi financiada pela CNPq. Sou pesquisadora vinculada ao CEDHAL (Centro de Demografia Histórica da América Latina). Sou editora da Revista Sankofa, periódico vinculado a Universidade de São Paulo.

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Publicado
2020-12-13
Como Citar
FRANCISCO, R. R. Os heróis maçônicos na historiografia da abolição em São Paulo. História da Historiografia: International Journal of Theory and History of Historiography, v. 13, n. 34, p. 271-302, 13 dez. 2020.
Seção
Resenha de balanço historiográfico com ênfase em revisão de literatura