A oficina do fragmento Método e processo historiográfico em Walter Benjamin

Palavras-chave: Metodologia da história, Escrita da História, Walter Benjamin

Resumo

Este artigo propõe uma excursão pela obra de Walter Benjamin na perspectiva do fragmentarismo construtivo que a caracteriza. Procura-se capturar os princípios metodológicos e epistemológicos que subjazem à prática historiográfica em Benjamin, no que ela contém de radicalmente experimental, articulando-os quer com a sua condição de existência como investigador-arquivista ou “escritor operante”, quer com o seu fatídico destino pessoal. Examina-se um método focado no particular, na descontinuidade e na concretude dos teores coisais; a criação de um saber histórico monadológico, reticular e constelacional, que arranca imagens do passado à sequência contínua da história universal; o confronto do artesanato benjaminiano com as exigências teóricas do materialismo dialéctico perfilhado pelos seus amigos e contemporâneos; a montagem de um inesgotável dispositivo intertextual e, por fim, a defesa da figura do autor-produtor, arauto de um tempo por vir onde o texto se tornaria um “bem comum”.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Jorge Ramos do Ó, UIDEF, Instituto de Educação, Universidade de Lisboa

Jorge Ramos do Ó. É doutor em História da Educação pela Universidade de Lisboa e mestre em História Contemporânea pela Universidade Nova de Lisboa. É Professor Associado com Agregação do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.

Tomás Vallera, Instituto de Educação, Universidade de Lisboa

Tomás Vallera, doutor em História da Educação pela Universidade de Lisboa.

Referências

ADORNO, Theodor W. Caracterização de Walter Benjamin. In: BENJAMIN, Walter. Sobre arte, linguagem e política. Tradução de Manuel Alberto, Maria Amélia Cruz e Maria Luz Moita. Lisboa: Relógio d’Água, 1992. p. 9-26.

ADORNO, Theodor W.; BENJAMIN, Walter. Correspondência 1928-1940. Tradução de José Marcos Mariani de Macedo. São Paulo: Editora UNESP, 2012.

AGAMBEN, Giorgio. «O que é o contemporâneo?» e outros ensaios. Tradução de Vinícius Nicastro Honesko. Chapecó: Argos, 2009.

AGAMBEN, Giorgio. O príncipe e o sapo: O problema do método em Adorno e Benjamin. In: AGAMBEN, Giorgio. Infância e história: destruição da experiência e origem da história. Tradução de Henrique Burigo. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008. p. 129-149.

BARRENTO, João. Comentário. In: BENJAMIN, Walter. O anjo da história. Tradução de João Barrento. Lisboa: Assírio e Alvim, 2010a. p. 145-219.

BARRENTO, João. O género intranquilo: Anatomia do ensaio e do fragmento. Lisboa: Assírio e Alvim, 2010b.

BENJAMIN, Walter; SCHOLEM, Gershom. Correspondência (1933-1940). Tradução de Neusa Soliz. São Paulo: Editora Perspectiva, 1993.

BENJAMIN, Walter. Afinidades eletivas. In: BENJAMIN, Walter. Ensaios sobre literatura. Tradução de João Barrento. Lisboa: Assírio e Alvim, 2016. p. 38-138.

BENJAMIN, Walter. As Passagens de Paris. Tradução de João Barrento. Lisboa: Assírio e Alvim, 2019.

BENJAMIN, Walter. Imagens de pensamento. Tradução de João Barrento. Lisboa: Assírio e Alvim, 2004.

BENJAMIN, Walter. Linguagem, tradução, literatura. Tradução de João Barrento. Lisboa: Assírio e Alvim, 2015.

BENJAMIN, Walter. O anjo da história. Tradução de João Barrento. Lisboa: Assírio e Alvim, 2010.

BENJAMIN, Walter. Origem do drama trágico alemão. Tradução de João Barrento. Belo Horizonte: Autêntica, 2011.

BENJAMIN, Walter. Passagens. Tradução de Irene Aron e Cleonice Paes Barreto Mourão. Belo Horizonte e São Paulo: Editora UFMG e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2007.

BENJAMIN, Walter. Sobre arte, linguagem e política. Tradução de Manuel Alberto, Maria Amélia Cruz e Maria Luz Moita. Lisboa: Relógio d’Água, 1992.

BOLLE, Willi. A metrópole como hipertexto: A ensaística constelacional no projeto das Passagens de Walter Benjamin. In: MACHADO, Carlos Eduardo Jordão; MACHADO Jr, Rubens ; VEDDA, Miguel (Orgs.). Walter Benjamin: Experiência histórica e imagens dialéticas. São Paulo: Editora Unesp, 2015. p. 85-97.

BOLLE, Willi. Forma de apresentação e método historiográfico nas Passagens de Walter Benjamin. In: COUTO Edvaldo Souza; DAMIÃO Carla Milani (Orgs.). Walter Benjamin: Formas de percepção estética na modernidade. Salvador: Quarteto Editora, 2008. p. 35-62.

BOLLE, Willi. Nota introdutória. In: BENJAMIN, Walter. Passagens. Tradução de Irene Aron e Cleonice Paes Barreto Mourão. Belo Horizonte e São Paulo: Editora UFMG e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2007b. p. 71-75.

BOLLE, Willi. Um painel com milhares de lâmpadas. In: BENJAMIN, Walter. Passagens. Tradução de Irene Aron e Cleonice Paes Barreto Mourão. Belo Horizonte e São Paulo: Editora UFMG e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2007a. p. 1141-1167.

DELEUZE, G. A ilha deserta e outros textos: Textos e entrevistas (1953-1974). Tradução de Cíntia Vieira da Silva et al. São Paulo: Editora Iluminuras, 2006.

DELEUZE, Gilles. O Mistério de Ariana – Cinco textos e uma entrevista de Gilles Deleuze. Lisboa: Vega, 2005.

DESCARTES, René. Regras para a direção do espírito. Tradução de João Gama. Lisboa: Edições 70, 1989.

FOUCAULT, Michel. Nietzsche, a genealogia, a história. In: MOTTA, Manoel Barros da (org.). Arqueologia das Ciências e História dos Sistemas de Pensamento. Tradução de Elisa Monteiro. São Paulo: Editora Forense, 2008. p. 260-281. (Ditos e Escritos, v. 2).

GOETHE, Johann Wolfgang. As afinidades eletivas. Tradução de Maria Assunção Pinto Correia. Lisboa: Bertrand, 2016.

HEIDEGGER, Martin. Introdução à filosofia. Tradução de Marco Antônio Casanova. São Paulo: Martins Fontes, 2009.

MOLDER, Maria Filomena. O químico e o alquimista: Benjamin leitor de Baudelaire. Lisboa: Relógio d’Água, 2011.

NIETZSCHE, Friedrich. Para a genealogia da moral. Tradução de José Miranda Justo. Lisboa: Relógio d’Água, 1999.

NIETZSCHE, Friedrich. Segunda consideração intempestiva. Da utilidade e desvantagem da história para a vida. Tradução de Marco Antônio Casanova. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 2003.

RANCIÈRE, Jacques. Nas margens do político. Tradução de Vanessa Brito e João Pedro Cachopo. Lisboa: KKYM, 2014.

SCHOLEM, Gershom. Walter Benjamin: A história de uma amizade. Tradução de Geraldo Gerson de Souza, Natan Norbert Zins e Jacó Guinsburg. São Paulo: Editora Perspectiva, 2008.

SCHÖTTKER, Detlev. Konstruktiver Fragmentarismus. Form und Rezeption der Schriften Walter Benjamins. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1999.

Publicado
2020-04-28
Como Citar
RAMOS DO Ó, J.; VALLERA, T. A oficina do fragmento Método e processo historiográfico em Walter Benjamin. História da Historiografia: International Journal of Theory and History of Historiography, v. 13, n. 32, p. 331-366, 28 abr. 2020.
Seção
Artigo