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Submissão de artigos - Dossiê

Chamado dossiê - História da Historiografia Medieval: Novas Abordagens

Os editors de História da Historiografia anunciam, com prazer, a chamada de artigos para o dossiê História da Historiografia Medieval: Novas Abordagens, a ser organizado por Khodadad Rezakhani (Princeton University), Luciano José Vianna (UPE/Petrolina), Otávio Luiz Vieira Pinto (UDESC) e Rodrigo Bragio Bonaldo (UFSC).

Os interessados devem submeter os artigos até dia 31 de outubro de 2019 as regras para submissão podem ser encontradas no link https://www.historiadahistoriografia.com.br/revista/about/submissions#authorGuidelines

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História da Historiografia Medieval: Novas Abordagens

Prof. Dr. Khodadad Rezakhani (Princeton University)

Prof. Dr. Luciano José Vianna (UPE/Petrolina)

Prof. Dr. Otávio Luiz Vieira Pinto (UDESC)

Prof. Dr. Rodrigo Bragio Bonaldo (UFSC)

 

A “memória disciplinar da historiografia” (GUIMARÃES, 2005) pareceu por vezes encontrar desafios em acessar correlatos da escrita da história no período medieval (V-XV). Preocupada com a formação da historiografia moderna, seus olhares não raramente deslizaram dos antigos aos modernos, deixando de lembrar que a querela, ela mesma, nasce de um toposmedieval (MATEUS, 2013). Consequentemente, a “procissão historiográfica” (PIRES, 2014) tem facilidade em esquecer dos historiadores medievais, com o desfile de autoridades saltando ora entre Tácito e Guicciardini (MOMIGLIANO, 1963; 1983; 2004), ora entre Flávio Josefo e Abraham Zacuto (YERUSHALMI, 1992), ainda que o pensamento decolonial tenha, desde cedo, sugerido honrosas menções a Ibn Khaldūn (KI-ZERBO, 2010, p. 3). 

Por outro lado, a redução da “história da Idade Média” à “história da Cristandade Ocidental” impediu a subsunção dos gêneros históricos do período a uma escala global, multi religiosa e integrada na produção e comércio dos livros, conexões expressas no trabalho pergaminheiro, nas escolas de tradução e nas compilações de topoitransculturais (DIAZ, 2001).

Em que medida a oposição construída por nossa memória disciplinar, a qual promove o salto entre antigos e modernos, reflete uma radical interrupção de tradições supostamente retomadas no Renascimento? Esse salto de fé em nome da razão não parece igualmente esquecer de questionar a historicidade enquanto privilégio de uma ciência histórica (moderna e ocidental)? (GADAMER, 2003, p. 17)

O presente dossiê visa fixar um diálogo latente entre os estudos medievais e a história da historiografia. Convidamos às reflexões relacionadas à multiplicidade dos gêneros históricos e formas de escrita da história na Idade Média Afro-Eurasiana, às possibilidades de consciências históricas medievais não redutíveis à “tradição de raciocínio” (SETH, 2013) ocidental e posterior, aos conceitos eruditos de história e suas possibilidades de pesquisa, às formas de disciplina, aos lugares de produção, circulação, leitura e performance oral da escrita da história na Idade Média, sem esquecer de suas relações e dissonâncias com as imagens, com a música, com o poder espiritual e com os projetos de poder temporais. 

 

History of Medieval Historiography: New Approaches 

Prof. Dr. Khodadad Rezakhani (Princeton University)

Prof. Dr. Luciano José Vianna (UPE/Petrolina)

Prof. Dr. Otávio Luiz Vieira Pinto (UDESC)

Prof. Dr. Rodrigo Bragio Bonaldo (UFSC)

 

As a field of study, history of historiography seems to encounter challenges in accessing correlates to the writing of history in the medieval period (V-XV). Mainly concerned with the formation of modern historiography, its glances tend to slide from ancients to moderns, forgetting that the quarrel itself is born out of a medieval topos(MATEUS, 2013). Consequently, our genealogies may easily erase medieval texts, with the parade of authorities jumping between Tacitus and Guicciardini (MOMIGLIANO, 1963, 1983, 2004), Flavius Josephus and Abraham Zacuto (YERUSHALMI , 1992), although decolonial thinking has, from an early stage, suggested honourable mention to Ibn Khaldūn (KI-ZERBO, 2010, p.3). 

Thus, reducing the "Medieval Period" to the "history of Western Christianity" prevented the subsumption of its historical genres to a global, multi-religious and integrated scale via the production and trade of books, connections expressed in the parchment work, in translation schools and cross-cultural topoi compilations (DIAZ, 2001). 

To what extent does the opposition built by our discipline, which promotes the leap between ancient and modern, reflects a radical interruption of a supposedly resumed tradition in the Renaissance? Does this leap of faith in the name of reason also not seem to neglect to question historicity as the privilege of a historical (modern and Western) science? (GADAMER, 2003, p.17)

The current issue aims to establish a dialogue between medieval studies and the history of historiography. We invite contributions related but not restricted to: the multiplicity of historical genres and forms of writing history in the Afro-Eurasian Middle Ages, debates on the medieval historical consciousness, its erudite concepts of history and its possibilities of research; the forms of discipline, places of production, circulation, reading and oral performance of the writing of history in the Middle Ages, without forgetting their relations and dissonances with images, musical pieces, spiritual structures and secular power projects. 

 

Bibliografia: 

ARAUJO, Valdei Lopes de. História da historiografia como analítica da historicidade. História da Historiografia, Ouro Preto, v.6, n. 12, 2013.

AURELL, Jaume. La Historiografía Medieval: entre la historia y la literatura. Valência.Universitat de València. 2016.

AURELL, Jaume. La historiografía medieval: siglos IX-XV. In: AURELL, Jaume; BALMACEDA, Catalina; BURKE, Peter; SOSA, Felipe (eds.). Comprender el pasado. Uma historia de la escritura y el pensamiento histórico. Madrid: Akal, 2013. p. 95-142.

AURELL, Jaume. O Novo Medievalismo e a interpretação dos textos históricos. Roda da Fortuna. Revista Eletrônica sobre Antiguidade e Medievo, v. 4, n. 2, p. 184-208, 2015.

BEM-SHALOM, R. Medieval Jews and the Christian Past: Jewish Historical Writing from Spain and Southern France. Oxford: The Littman Library of Jewish Civilization, 2015.

BERGQVIST, Kim. Truth and Invention in Medieval Texts: Remarks on the Historiography and Theoretical Frameworks of Conceptions of History and Literature, and Considerations for Future Research. Roda da Fortuna. Revista Eletrônica sobre Antiguidade e Medievo, v. 2, n. 2, p. 221-242, 2013.

BOUREAU, Alain. La Méthode critique en théologie scolastique: le cas des commentaires des sentences de Pierre Lombard (XIII-XIV Siècles). In: CHAZAN, Mireille; DAHAN, Gilbert. La méthode critique au moyen âge. Turnhout: Brepols, 2006. p. 167-180.

CERTEAU, M. d. Une pratique sociale de la différence: croire. In: Faire croireModalités de la diffusion et de la réception des messages religieux du XIIe au XVe siècle. Actes de table ronde de Rome (22-23 juin 1979). Rome: École Française de Rome, 1981, p. 363-383.

DANTAS, Felipe Alberto. A historiografia sobre Antiguidade Tardia à luz da reflexão de Jörn Rüsen sobre os fundamentos do pensamento Histórico. Roda da Fortuna. Revista Eletrônica sobre Antiguidade e Medievo, v. 3, n. 1, p. 131-143, 2014.

DÍAZ, Elena E. Rodríguez. La industria del libro manuscrito en Castilla: fabricantes y vendedores de pergamino (ss. XII-XV). HID, n. 28, p. 313-351, 2001, .

GADAMER, Hans-Georg. O problema da consciência histórica . Rio de Janeiro: Editora FGV, 2003.

GOETZ, Hans-Werner. Historical Writing, Historical Thinking and Historical Consciousness in the Middle Ages. Revista Diálogos Mediterrânicos, n. 2, maio, p. 110-128, 2012.

GUIMARÃES, Marcella Lopes. Crônica de um gênero histórico. Revista Diálogos Mediterrânicos, n. 2, p. 67-78, 2012.

GUIMARÃES, Marcella Lopes. Historiografia e cultura histórica: notas para um debate. Ágora, Santa Cruz do Sul, v. 11, n. 1, 2005.

HARTOG, François. Regimes de historicidade: presentismo e experiências do tempo. Belo Horizonte. Autêntica. 2013.

KI-ZERBO, J. História Geral da África: Metodologia e Pré-História da África. Vol. I. Brasília: UNESCO, 2010.

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MATEUS, Samuel. “A Querela dos Antigos e dos Modernos”, Cultura [Online], Vol. 29 | 2012, posto online no dia 05 Novembro 2013. DOI 10.4000/cultura.1124. Disponível em: http://cultura.revues.org/1124. Acesso em: 28 jan. 2016.

MOMIGLIANO, Arnaldo. Problèmes d’historiographie ancienne et moderne. Paris. Gallimard. 1983. 

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PORTO, R.M.R. De tradiciones y traiciones: Alfonso X en los libros iluminados para los reyes de Castilla (1284-1369). In: PORTO, R.M.R. El texto infinito: tradicion y reescrítura en la Edad Media y el Renacimiento. Salamanca, 2014, p. 947-962. 

PIRES, F.M. O fardo e o fio: na contramão da procissão historiográfica. História da historiografia, Ouro Preto, v. 7, n. 15, p. 70-88, 2014.

SETH, Sanjay. Razão ou Raciocínio? Clio ou Shiva? História da Historiografia, Ouro Preto., v. 6, n. 11, p. 173-189, 2013.

SPIEGEL, Gabrielle M. The Past as Text: the theory and practice of medieval historiography. Baltimore: John Hopkins University Press, 1997.

STAROSTIN, Dmitri. Carolingian History and the Historians's Metanarrative. História da historiografia, Ouro Preto, v. 11, n. 26, p. 40-68, 2018.

YERUSHALMI, Yosef Hayim. Zakhor: história judaica e memória judaica. Rio de Janeiro. Imago. 1992

VELASCO, Jesús Rodríguez Velasco. Espacio de certidumbre. Palabra legal, narración y literatura en Las siete partidas (y otros misterios del taller alfonsí). Cahier d'études hispaniques médiévales, n. 29, p. 423-451, 2006.




ENCERRADO - CALL FOR ABSTRACTS – WHAT MAKES HISTORY PERSONAL?

História da Historiografia’s editors are happy to announce a call for abstracts for the theme issue “What makes history personal?”, to be guest-edited by Kalle Pihlainen (Tallinn University) and Pedro Caldas (UNIRIO). 

Those interested in taking part are invited to send an abstract of 500–800 words in either docx or pdf format to historiadahistoriografia@hotmail.com in English by the end of February 2019. The abstracts will be peer-reviewed and selected authors will be asked to submit their papers by July 31st, 2019. 

The aim of our proposal is to examine how ‘historicity’ and diverse understandings of the past interfere in the writing of history. Specific issues to be addressed can include, but are not limited to: the intertwining between a historian’s life and work, in which one’s authorial imprint is clear and irreplaceable; the formulation of a view of history in which the frontiers between one’s personal setting and the contemporary political milieu are blurred; the close connection between the building/construction of a personal and a collective identity; the relevance of historical writing for personal orientation and identity in a time of crisis; the identification between the historian and his or her object.

ENCERRADO - CHAMADA PARA RESUMOS – O QUE FAZ DA HISTÓRIA ALGO PESSOAL?

Os editors de História da Historiografia anunciam, com prazer, uma chamada para resumos para o dossiê “O que faz da história algo pessoal?”, a ser organizado por Kalle Pihlainen (Universidade de Tallinn) e Pedro Caldas (UNIRIO).

Os interessados em participar estão conviados a enviar um resumo de 500 a 800 palavras em docx ou pdf, em inglês, até o fim de fevereiro de 2019. Os resumos serão avaliados por pareceristas e os autores escolhidos deverão enviar os seus artigos até 31 de julho de 2019.

O objetivo de nossa proposta é compreender como a ‘historicidade´ e diversas compreensões do passado interferem na escrita da história. Seriam particularmente interessantes, por exemplo: a relação entre a vida e a obra do historiador, na qual a marca autoral é clara e insubstituível; a formulação de uma visão de história na qual ficam borradas as fronteiras entre os ambientes pessoal e político; a estreita conexão entre a formação/construção da identidade pessoal e a coletiva; a relevância da escrita da história para a orientação pessoal e a identidade em um tempo de crise; a identificação entre a historiador/o historiador e o seu objeto.

 

 

 

 

 



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